Manifesto Pela Conscienciologia Humanista!

Começar qualquer iniciativa escrevendo um manifesto requer um exercício perspicaz de significação, levando-se em conta os sentidos e impactos de cada palavra e argumento, a começar pela proposta da própria expressão “manifesto”, cujo conceito estabelece uma declaração formal, que transmite tanto os valores quanto suas intenções de seus autores a respeito de um determinado tema. É sobre os pilares dessas duas dimensões, dos valores e da intenção, que apresentamos, e propomos, a perspectiva filosófica e pragmática da Conscienciologia Humanista.

Nos últimos quinze anos Rafael Giuliano vem se dedicado ao contínuo trabalho de observação, pesquisa e experimentação interventiva junto aos mais diferentes grupos, apreciando suas dinâmicas interativas e mediando processos de mudança por meio da aprendizagem e da resolução de conflitos afetivos; sempre com o propósito de promover o pleno desenvolvimento de pessoas e organizações humanas.

Durante todo esse tempo, houve sempre a busca por agregar o conhecimento necessário para criar um método para mediação de diálogos que fosse multiplicável e, acima de tudo, que pudesse ser transmitido às pessoas, de maneira a incentivar a autonomia e o protagonismo; conscientizando-as de seu potencial de autorrealização. Hoje, podemos afirmar que essa missão foi cumprida; estabelecendo não um “método”, mas os princípios de uma nova concepção filosófica que evoca a tomada de consciência sobre nossa própria existência humana: a Conscienciologia Humanista.

Sua denominação parte da acepção propositiva de duas expressões:

  1. Conscienciologia: essa concepção parte da união entre a palavra consciência, cujo sentido envolve o conhecimento ou a percepção que o sujeito tem do que se passa consigo mesmo e com o outro, além da ideia de “bom senso”, também nela contida, relacionando-a ao conjunto de valores morais que definem nossos julgamentos e ações. O sufixo logia define um campo de estudo, uma área de conhecimento a ser explorada. Portanto, é um termo que se presta ao estudo contínuo sobre os aspectos da tomada de consciência do indivíduo acerca de sua realidade e a corresponsabilidade pela transformação desta (em proposital oposição a qualquer movimento pseudocientífico baseado na metafísica);
  2. Humanista: parte de uma proposta conceitual que amplia, de maneira apreciativa, a acepção do humanismo contemporâneo e propõe o humano como sendo o criador de si mesmo e da própria realidade e corresponsável pela realidade dos outros. Distanciamo-nos significativamente da visão clássica que o tomava como “valor supremo” ou a “medida de todas as coisas”; estabelecendo-o como agente partícipe nas transformações do mundo à sua volta.

A Conscienciologia Humanista se propõe a ser uma nova abordagem orgânica e sistêmica para a mediação apreciativa das relações humanas em prol do pleno desenvolvimento de indivíduos conscientes. Para tanto, lançamos mão das descobertas e reflexões.

Inicialmente, apresentamos os três Princípios Fundamentais para a tomada da consciência nas relações humanas, concebidos a partir das dinâmicas e interações observadas nos ambientes de diálogo e aprendizagem, incluindo aqueles de convívio social familiar e profissional, indicando suas proposições pragmáticas:

  • Apreciação do Humano: estabelece o resgate da valorização das pessoas e suas singularidades, reconhecendo o potencial humano de transformar a própria realidade;
  • Intencionalidade: provoca no indivíduo a escolha consciente de suas atitudes, de maneira a imprimir valor e sentido nas interações e intervenções sobre a própria realidade, assim como na dos outros;
  • Transcendência: estimula a superação das conjunturas circunstanciais do ser humano, sua realidade e limitações, incentivando-o a alcançar seu pleno potencial.

A partir da observação desses Princípios Fundamentais nas interações humanas foi possível estabelecer também os Princípios Relacionais. Um conjunto de outros três princípios que surgem a partir da relação dos três Fundamentais; apontando na direção de atitudes mais apreciativas para as interações e intervenções humanas:

  • Apreciação do Humano + Intencionalidade = Cooperação: quando reconhecemos nosso próprio valor, e também o do outro, relacionando-os de maneira intencional, criamos a oportunidade de potencializar nossas realizações, sendo capazes de superar quaisquer circunstâncias limitantes através da cooperação;
  • Intencionalidade + Transcendência = Propósito: no momento em que relacionamos nossa intenção com o objetivo de transcender tudo aquilo que pode se apresentar como uma limitação, passamos a dar um novo sentido à vontade, estabelecendo um propósito que nos coloca em movimento; na direção daquilo que se almeja e se tem potencial para alcançar;
  • Transcendência + Apreciação do Humano = Ressignificação: transcender a ideia de valor que se tem de si mesmo e do outro requer um exercício consciente de ressignificação, estabelecendo novos significados para o que ouvimos e percebemos, tanto quanto para o que compartilhamos e inspiramos.

É certo que cada um desses Princípios Fundamentais e Relacionais requer uma extensa abordagem conceitual, porém, diferentemente da ideia de uma exposição apenas teórica, a partir deste manifesto outros textos e iniciativas práticas serão apresentados pelo Instituto Konscio, a fim de que você, nosso outro e interlocutor, possa transformar suas próprias práticas em ambiente de reflexão.

A opinião manifestada até aqui compreende, à luz da Conscienciologia Humanista, uma crítica provocativa, estabelecendo a necessidade de interações e intervenções mais conscientemente humanas e apreciativas. Há ainda a proposta de ser mais do que simplesmente um apontamento de erros ou situações de risco, que apenas reforçaria o cenário de crise ou de “miserabilidade” que advém da redução do tempo que dedicamos à reflexão, como apontado certa vez pelo filósofo e escritor Mario Sergio Cortella. Isso nos leva à dimensão de intenção deste manifesto.

A Conscienciologia Humanista surge como uma proposta pragmática, abrangendo significados concretos e atitudes aplicáveis; reforçando o conceito da prática como ambiente de reflexão. Por isso, revelamos aqui a intenção máxima deste manifesto e, por conseguinte, também da Conscienciologia Humanista, apresentando seus Princípios Pragmáticos como forma de estabelecer um convívio mais consciente, humano e apreciativo:

  • Presença Plena: disponha-se a estar consciente e plenamente presente em cada encontro, diálogo e ação, de maneira envolvida e engajada, focando na intenção de se realizar por meio da interação;
  • Escuta Compreensiva: atente-se àquilo que é compartilhado pelo outro, de forma a valorizá-lo pela empatia, tanto cognitiva quanto emotiva;
  • Ressignificação: reveja os significados dados àquilo que lhe é oferecido, tanto por palavras quanto atitudes;
  • Comunicação Assertiva: fale, demonstre e compartilhe tudo, atitudes e palavras, com intenção assertiva e apreciativa; buscando despertar o que há de melhor em si mesmo e no outro;
  • Protagonismo Interventivo: assuma o papel de corresponsável pelo próprio pleno desenvolvimento, bem como o do outro, e da construção de uma melhor realidade compartilhada.

Este manifesto é mais do que a apresentação das bases de um filosofema. É essencialmente um convite, um chamamento às pessoas que reconhecem a importância da insatisfação, da inconformidade, e que buscam se lançar num propósito que transcenda a realidade que nos foi, e é, imposta.

A todas essas pessoas, esses verdadeiros seres humanos livres, sejam bem-vindos ao Instituto Konscio Pela Conscienciologia Humanista.